1,2,3,4,5,6,7

1,2,3

Todas as manhãs são assim. Ir buscar o pão, muito saboroso, a um café ao lado da minha casa para o pequeno-almoço.

1,2,3,4,5,6,7

ter, cei, ro

1,2,3,4,5,6,7

1,2,3

Sete escadas por lanço desde o quarto andar.

1,2,3,4,5,6,7

se, gun, do

Dando três passos por patamar começo sempre com o mesmo pé o primeiro degrau. Pode parecer uma preocupação desnecessária, mas habituando o corpo a certos movimentos mecanizados muitas vezes conseguimos fazer coisas mesmo de olhos fechados. "olhos fechados" bem, não vamos por aí. Continuando...

1,2,3,4,5,6,7

Conto-as para o caso de a luz temporizada apagar saber quantas escadas faltam para acabar o lanço onde estou. Já me aconteceu isso várias vezes e graças a esta técnica nunca tive problemas com o desligar da luz.

1,2,3

A subir já não faço isso, uso outra técnica muito mais eficiente, vou de elevador.

1,2,3,4,5,6,7

Também podia carregar no interruptor no início da descida. Mas isso ia fazer com que provocasse gastos de energia desnecessários. Mais de oitenta por cento das vezes chego ao rés-do-chão sem a luz se apagar.

pri, mei, ro

Não carregando no interruptor aproveito o tempo da pessoa que carregou antes de mim, carregando no interruptor ponho de novo o temporizador no inicio e a luz vai ficar ligada mais três minutos. Havendo uma lâmpada por andar, cinco com a casa das máquinas, e uma lâmpada por patamar, quatro, são nove lâmpadas que são acesas, vou propor ao condomínio o uso de velas nas escadas, são mais baratas, serão? Podemos depois arranjar um modo de aproveitamento de cera usada nas velas para fazer novas velas ...

1,2,3,4,5,6,7

1,2,3

1,2,3,4 ???, a porta do rés-do-chão?

Outro patamar?

Não há porta do rés-do-chão? Outro patamar? Parece que está na altura de acender a luz, que se lixe a poupança de energia (eu sei que não devia pensar isto).

O que é isto?

Haver escadas para cima já estava à espera mas, mais escadas para baixo? Ter-me-ei enganado a contar os patamares? Deve ter sido isso. Mais um patamar e pronto não estou a gostar disto. Pelo espaço entre as escadas vejo que há muitos patamares para baixo, mais de 10, 20 parecem mais de mil. Olha que engraçado, para cima também são mais de mil. Não devia estar em pânico?

Ok.

Como já comecei a descer para o patamar seguinte vamos até ao andar de baixo e tomar a atitude inteligente e ver a numeração na porta do patamar, se é que se pode ter uma atitude destas durante um sonho, sim porque devo estar num sonho. Ora cá está. Boa, o que estáescrito na porta é "12760º andar".

Mais uma espreitadela por entre os lan�os, confirma-se, s�o mais de mil para cima e mais de mil para baixo. Que raio de sonho. O que querer� dizer sonhar com escadas? N�o me posso esquecer de perguntar � Ana, amanh� de manh� quando acordar, se sabe o que quer dizer sonhar com escadas, com muitas escadas.

Como n�o sei em que andar estou � melhor abrir a porta e sair das escadas.

Acendo a luz do corredor e vejo pela porta dos meus vizinhos que estou de novo no quarto andar. Que giro. Vamos a mais uma aventura pelas escadas? Afinal se estou num sonho n�o h� pressa para ir buscar o p�o.

Volto para as escadas e na porta diz �4� andar�. N�o era isto que dizia h� bocado. Olho para cima e h� mais um andar, a casa das m�quinas. Espreito para baixo por entre as escadas e c� est�o os tr�s andares para baixo e o fim das escadas. Afinal n�o passou de uma pequena �avaria� das escadas h� pouco.

�i� mu noi�, foi o que uma vez a minha filha, a mais nova da fam�lia, disse antes do arranque de um carro descapot�vel onde ela ia dar uma volta, de maneira que n�s antes de come�armos a fazer qualquer coisa �s vezes dizemos �i� mu noi� em vez de �l� vamos n�s�, que era, achamos n�s, o que a minha filha queria dizer com esta frase hist�rica. Ent�o, �i� mu noi� pelas escadas abaixo.

Desta vez as escadas n�o me v�o apanhar desprevenido. Come�o a descer a olhar l� para baixo. At� ao primeiro patamar tudo bem, assim como at� ao patamar do terceiro andar. Vamos ent�o � viagem at� ao patamar do segundo andar. Correu tudo bem. Aproveitando a embalagem vamos em direc��o do primeiro andar. Pronto, isto � cl�ssico, quando estou no patamar interm�dio falha a luz. Toda a gente estava � espera disto, quer dizer, toda a gente, eu e � mais eu, j� somos dois. Vamos com calma e vamos acender a luz no pr�ximo patamar, que � o do primeiro. Vamos l� a ver se �. J� cheguei, agora � s� acender a luz e contar os milhares de andares. Luz acesa e � um andar para baixo e o fim das escadas, e para cima, o segundo, o terceiro, todos os andares, est� tudo bem. Respiro fundo, parece que voltou tudo ao normal. �Bora� comprar o p�o, linguagem da metade mais nova da fam�lia.

S� mais uma olhada para cima, tudo bem. Oh! Para baixo � que n�o est� nada bem, aqui est�o os milhares de andares, e ent�o para cima? Olha eles� os outros milhares de andares que faltavam. Bem, agora, vou para cima ou para baixo? Para que andar? Esta pergunta est� mesmo bem feita, para que andar? Se for para cima para que andar � que vou? E se for para baixo? A que andar � que vou parar? Vamos usar um m�todo cient�fico para resolver este dilema. A, a, a, quem est� livre, livre est�, � Vamos ent�o para cima. E na porta est� �12760� andar�, o que � que poderia estar escrito? Ai � assim? Vou ver o que est� escrito na porta do andar de baixo.

Como n�o podia deixar de ser na porta de baixo est� �12759� andar�. Boa. Porque � que aqui a l�gica est� a funcionar? Vou acima para sair das escadas? Ou saio mesmo por aqui? H� bocado sa� pelo 12760� agora vou sair por este. Acendo a luz do corredor e c� estou de novo no 4� andar. Vou a casa p�r a cabe�a no lugar.

- Ent�o? Voltaste atr�s? � disse-me a Ana � esqueceste-te de alguma coisa? Sa�ste e entraste logo a seguir.

- Pois � esqueci-me de levar dinheiro.

Logo a seguir? Desci duas vezes as escadas, com paragens e contagens de andares foram pelo menos dois minutos e entrei em casa �logo a seguir depois de sair?�.

- Entrei logo a seguir depois de sair mulher? Ainda fui at� ao r�s-do-ch�o � � melhor n�o dizer nada para j� � e vim de novo para cima.

- Pois, pois e para a semana est�s a correr os 100 metros livres. Deixa-te de brincadeiras e vai buscar o p�o que os nossos filhos est�o quase prontos para sair e � preciso fazer as sandes para eles levarem para a escola.

- Reat� j�. Percebeste? Re de outra vez e j� de �

- Vai buscar o p�o.

Bem, n�o tenho outro rem�dio sen�o ir buscar o p�o e enfrentar outra vez as escadas manhosas, ou n�o �

�J� sei uma boa ideia�, mais uma frase da inf�ncia dos meus filhos, n�o preciso de ir pelas escadas, vou de elevador e vamos ver o que vai acontecer.

Toca a chamar o elevador. Mais uma vez algu�m chamou os dois elevadores. Ainda n�o perceberam que s� precisam de um elevador, mas gostam de gastar energia o que � que se h�-de fazer? Alto este est� livre, toca a cham�-lo. Aqui est� ele e boa sorte.

Carregar no 0, e 4, 3, 2, 1, 0. Abrir a porta e c� estou no � quarto andar de novo. Olho para o mostrador do elevador e est� l� um � quatro.

J� n�o bastava as escadas estarem avariadas hoje e o elevador tamb�m tinha que estar. J� n�o bastava as escadas n�o levarem a qualquer s�tio e o elevador tamb�m faz a mesma coisa.

Vamos l� tirar a prova dos nove. A prova dos noves. Por acaso lembro-me da escola. 10 noves fora � 1. Tirando 9 a 10 fica 1, ao resultado que se chega somando 1 mais 0, os algarismos do n�mero 10. E 12760 noves fora? Acho que sei porque � que pensei em 12760. 12760 noves fora � 7. 1 mais 2 � 3, 3 mais 7 � 10, noves fora 1, 1 mais 6 � 7. Usa-se esta propriedade dos n�meros para saber se uma conta de somar est� certa. Por exemplo, 25 mais 39 � 64. Se fizermos noves fora �s parcelas, temos: 2 mais 5 � 7, 7 mais 3 � 10, 10 noves fora 1, 1 mais 9 � 10, 10 noves fora 1. Agora se fazendo o mesmo ao total, 6 mais 4 � 10, 10 noves fora 1. Aplicando o �noves fora� ao conjunto das parcelas e ao total o valor tem que ser igual, se a conta estiver certa. Como tudo na vida h� maneiras de aldrabar este teste para dar certo. Mas um aluno na prim�ria que use o tempo, eu n�o disse �perca tempo�, a tentar aldrabar este teste com mudan�as de n�meros sabe fazer bem contas de somar. Bons velhos tempos. Voltemos ao elevador.

Entro de novo no elevador. Carrego no 0. � 3, 2, 1, 0, n�o tires os olhos do mostrador, abre a porta, n�o tires os olhos do mostrador, sai e � o quarto andar e c� est� o mostrador a mostrar o quatro.

Espera a�, para onde foi quem utilizou o outro elevador? Ter� ido para a garagem? Depressa, toca a correr at� casa.

- De que � que te esqueceste desta vez? Voltaste a entrar logo a seguir a sa�res. Revoltaste? Percebeste �

- Tenho que ir � casa de banho, - ou ser� quarto de banho? � deixa-me passar por favor.

- J� vou fechar, espera um bocadinho.

A entrada da casa tem do lado esquerdo uma m�quina de costura muito antiga, restaurada, e do lado direito fica um arm�rio embutido. Neste momento a minha mulher estava a arrumar a roupa que tinha apanhado da varanda e com a porta aberta n�o se podia passar. A minha pressa n�o era fisiol�gica, porque tinha mentido ao dizer que tinha de ir � casa de banho, mas de chegar � janela para ver se algu�m sa�a da garagem. Pareceu-me uma eternidade a espera. Mal pude avan�ar, passei pela porta do hall de entrada e virei � esquerda para o corredor dos quartos e � grande cabe�ada no meu filho que vinha em direc��o contr�ria. Esta hist�ria dos nossos filhos j� serem do nosso tamanho tem as suas desvantagens. Se and�ssemos de capacete dentro de casa n�o havia problemas destes.

- Ol� pai, bom dia.

- Ol� filho, j� est�s pronto? � e fui indo em direc��o ao meu quarto a olhar para tr�s, constatei que a pergunta n�o tinha raz�o de ser porque ele ainda estava de pijama.

Sinto algu�m e ou�o um �Ai�. Acabo de ir de encontro � minha filha. Dou com ela com cara abananada, encostada � parede e a n�o perceber o que se estava a passar.

- Ent�o filha j� est�s acordada?

- N�o, estou a ter um pesadelo e dos pesados.

- Dos pesados n�o, que eu s� peso 65 quilos.

- S�rio?

- N�o falta um �a� no in�cio dessa frase?

- Vou-me vestir.

Dirijo-me � janela do quarto e ou�o a minha filha:

- Hoje n�o me d�s um beijo de bom dia?

Quem � que pode continuar com o que est� a fazer com um pedido t�o querido e mimalho como este?

Tenho que voltar atr�s, dou um beijo � minha filha e vou � janela espreitar. Chego � conclus�o que se algu�m saiu da garagem ou do pr�dio j� quase que teve tempo de chegar a Lisboa depois desta viagem atribulada desde a porta at� � janela do meu quarto.

Tive uma ideia. Vamos ver se o problema � s� meu.

- Ana podes ir buscar o p�o por favor? � que estou no quarto de banho e come�a a fazer-se tarde.

- Pois, com estas tuas sa�das e entradas, sa�das e entradas daqui a pouco s�o horas do almo�o e ainda n�o temos o p�o do pequeno-almo�o. Deixa estar que vou l�.

Vi-a vestir o casaco. Os meus filhos est�o nos quartos. Ou�o-a dirigir-se � porta, ou�o bater a porta e a porta abre de novo. Vou at� � porta e vejo-a com a cara muito espantada, os olhos arregalados, muito branca (penso c� para mim, eu encarei os factos com mais calma, tamb�m sou homem e ela � mulher, as mulheres geralmente aceitam mal as coisas sem l�gica).

- Ent�o Ana aconteceu alguma coisa? � como se eu n�o soubesse j�.

- Tu sabes o frio que est� l� fora? At� tenho as m�os roxas, ora v�.

E mostrou-me a m�o que trazia os p�es. �, de facto, estava roxa. �, de facto, ela saiu e entrou num espa�o de um segundo (pormenor sem import�ncia). �, de facto, n�o se passou nada com ela, nem nas escadas, nem no elevador. Olhei para tr�s e os meus filhos j� estavam prontos, s� faltava arranjar as sandes. Acho que fiquei de novo um pouco baralhado.

- Ent�o o pequeno-almo�o? � perguntou a Ana ao chegar � cozinha. � N�o tiveste tempo de o fazer?

Estive quase para lhe perguntar como � que num segundo se pode arranjar o pequeno-almo�o, mas achei que ela ia finalmente rotular-me de doido varrido, coisa que tenho andado a esconder todos estes anos de casado, por isso fiquei calado e fui arranjar as sandes dos meus filhos.

J� ouvi falar de universos paralelos mas acho que esta teoria n�o se aplica a ir buscar o p�o de manh�. Tamb�m j� li qualquer coisa sobre a �Teoria da relatividade� de Albert Einstein, onde ele diz que o Tempo � relativo, n�o � uma grandeza Universal. Um segundo na Terra n�o tem o mesmo valor de um segundo passado � velocidade da luz, mas acho que ele disse tamb�m que esta teoria n�o se aplicava a ir buscar o p�o de manh�.

Finalmente estava toda a gente pronta, os meus filhos e eu, para a viagem de distribui��o pelas escolas. Todos os dias, enquanto eu entregava os filhos nas escolas, a minha mulher arranjava o pequeno-almo�o para n�s os dois.

Vamos l� a ver se tudo corre bem.

A viagem at� � garagem pelo elevador, do quarto andar at� � cave, correu bem, exceptuando a minha apreens�o com o que ia encontrar quando abr�ssemos a porta do elevador.

- O que tens pai? Agora �s tu que tens medo de andar de elevador? � perguntou a minha filha. Ela tem um bocado de medo de andar no elevador, sempre que vamos de elevador e ele durante a viagem p�ra, quando algu�m o chama, ela agarra-se � primeira pessoa, e imagina logo que vai ficar presa no elevador para o resto da vida devido a uma avaria. Enfim, � a minha filha com os elevadores e a minha mulher com a fobia �s aranhas. Quando me lembro que houve um carro, infelizmente o nosso, que ficou com a frente praticamente desfeita devido a uma aranha pendurada no espelho retrovisor, acho que o problema da minha filha n�o � grave.

Toda a gente dentro do carro, toca a andar e � curioso, olho para a porta do pr�dio e est� a sair um homem muito velho com um rel�gio de parede �s costas, a sorrir para o nosso carro ou para mim.

- Filhos, viram aquele senhor?

Com o aperto dos cintos de seguran�a � sa�da da garagem nenhum deles tinha reparado no senhor a sair do pr�dio.

Durante o caminho n�o deixo de pensar no que se passou hoje de manh�. Como sempre, primeiro, deixo a minha filha na escola dela e depois deixo o meu filho na escola dele. Sempre a pensar no caso da manh�. Olha � O meu filho ia ficar muito contente, porque ia ficar sem aula de Matem�tica hoje. Quase que passava por cima do professor dele. V� l� se te concentras, pelo menos enquanto est�s ao volante.

Durante o pequeno-almo�o com a minha mulher, quase que contei o que se passou comigo. Mas n�o toquei no assunto, ainda preciso de pensar no assunto.

Desde que tenho esta vida ocupad�ssima de falta de trabalho, sempre que est� bom tempo vou com a Ana a p� at� � C�mara, que � onde ela trabalha, e depois venho para casa.

Enquanto caminho � uma boa altura para por as ideias no s�tio. Uma caracter�stica comum aos tr�s casos da manh�, � que estava sozinho na altura dos lapsos de tempo.

Os dois primeiros casos podem-se facilmente explicar como uma esp�cie de paragem do c�rebro. Podemos imaginar que nunca fui mais longe do que fechar a porta e voltar a entrar. Tudo pode ser visto s� como a minha imagina��o a trabalhar. Imaginemos, fecho a porta e volto a abri-la, mais ou menos um segundo, mas no meu c�rebro as coisas passaram-se de maneira diferente. Tive tempo de andar a �passear� pelo pr�dio e voltar de novo, uns cinco minutos para mim.

Assim como o terceiro caso. O c�rebro parou e n�o dei pelo tempo a passar enquanto a minha mulher foi buscar o p�o.

O �Deja vu� pelo que o entendo tamb�m � uma coisa deste tipo, uma partida do c�rebro. Parece ser qualquer coisa como dois processamentos de informa��o a chegar ao c�rebro (talvez por caminho diferentes, redundantes) com mil�simos de segundo de diferen�a.

Esta m�quina, o c�rebro, tem que se lhe diga. O do homem � a coisa mais complexa que existe � face da terra, e funciona bem. Inclusive tem mecanismos impressionantes de protec��o e defesa da vida. O que mais admirei foi o que se passou com a minha mulher.

Uma m�e pode sofrer muito com o nascimento do primeiro filho. Diz que n�o vai querer mais nenhum e passado um ou dois anos a percep��o desse sofrimento � atenuado, parece ser apagado do c�rebro e ela acaba por dizer que n�o se importa de ter o segundo filho. Interessante, n�o �?

Mas voltando ao problema de hoje de manh�, est� tudo explicado, tenho o c�rebro a funcionar mal. � o peso dos 44 anos. Tinha tanto orgulho no c�rebro que me tinha calhado e ele come�a a deixar-me ficar mal. Vou tentar recuperar o c�rebro e resolver este problema.

Pensando bem no terceiro caso, eu terei ficado parado na porta do meu quarto e os meus filhos enquanto se estavam a arranjar ter-me-iam visto ali parado e de certeza absoluta que me teriam perguntado o que estava ali a fazer.

Afinal j� n�o estou assim t�o certo com o que se passou. J� n�o tenho a certeza absoluta do que se passou.

Ent�o que raio se passou?